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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

QUANDO UM CASAL PRECISA DE PSICOTERAPIA?


 Por Néa Tauil






É certo que todos os casais colecionam conflitos de várias espécies, em contextos  e características absolutamente particulares de cada casal e de cada pessoa que o forma. Porém, nem sempre é fácil determinar qual o momento exato de se procurar psicoterapia para o casal, na tentativa de encontrar uma saída para os problemas do relacionamento. 



Contudo, a partir da minha visão e experiência, como psicóloga, se pensarmos de forma preventiva, seria importante que o casal procurasse ajuda, quando identificasse divergências consideráveis e repetitivas, sobre as quais não consegue chegar a nenhum acordo, o que é comum, por exemplo, com a educação de filhos. No entanto, a predominância é pela procura profissional, quando há, depois de várias e desgastantes tentativas, com conflito já deflagrado, com adoecimentos e aparecimento de graves sintomas em um dos parceiros ou nos filhos.


Na verdade, o diálogo franco e desprovido de rancores é sempre uma boa alternativa para elucidar dúvidas e resolver questões que podem ameaçar a boa convivência entre os parceiros. Mas, contrariando o que muitos pensam, nem sempre é a falta de comunicação o principal problema, que pode desencadear outras dificuldades na relação, mas comunicações inadequadas, prejudiciais ao diálogo construtivo que se constitui de várias características, como escuta atenta, linguagem respeitosa e não violenta, legitimação do que diz e sente a outra pessoa, tom de voz, escolha de momento e lugar para conversar, entre outras. Comunicar-se de forma positiva para o relacionamento é um de seus alicerces mais importantes, e o psicoterapeuta colabora muito para que isso aconteça.

Infelizmente, há muitas dificuldades culturais e sociais para o reconhecimento e procura desse tipo de psicoterapia, sendo mais constante a ida de um ou outro para uma psicoterapia individual, quando vão, ou o encaminhamento de filhos para tratamento. Ainda hoje, há quem pense que quem faz psicoterapia de casal acaba se separando, que apenas pessoas " loucas" precisam dessa forma de tratamento ou que procurar ajuda é uma demonstração de fraqueza. 


A grande questão é que ainda existe muito preconceito sobre procura de atendimentos à saúde mental, psicológica e emocional. Mas, importa dizer que os problemas emocionais e as doenças mentais trazem muito sofrimento e limitações àqueles que os sentem, porém, não deixam sinais físicos, nem alterações laboratoriais. Ou seja, o fato de os transtornos não serem perceptíveis, como uma febre ou um osso quebrado, faz com que as pessoas não os compreendam e com isso acabam prejudicando a própria qualidade de vida e daqueles que o cercam.



Por isso, é importante   desconstruir os conceitos preestabelecidos sobre psicoterapia em geral ( individual, casal ou familiar), aprendendo a olhar para ela como um modo de cuidar das diversas formas com as quais o sofrimento humano pode se manifestar. Sem dúvida, a psicoterapia é uma  ferramenta útil, pois auxilia a ampliação da consciência e a vislumbrar possíveis caminhos que sejam diferentes da incomunicabilidade e do cultivo de sentimentos negativos, que podem induzir à violência física ou psicológica que ocorre nas famílias, especialmente a conjugal. Então, com a mente aberta, a intenção de melhorar e a busca pela psicoterapia, pode-se obter muitos benefícios para si mesmo e, consequentemente, para aqueles com quem convive.





Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
Contato: neatauil@gmail.com

domingo, 23 de julho de 2017

UMA HISTÓRIA DE RESILIÊNCIA



Por Néa Tauil



Como psicóloga, as histórias que escuto em meu consultório, ao longo dos anos, são extraordinárias e, com frequência, tão improváveis que, se as lêssemos em um romance, poderíamos considerá-las por demais fantasiosas ou aterrorizantes. Porém, são histórias verdadeiras de pessoas que passaram por momentos trágicos, mas que conseguiram se adaptar e retomar à vida. Sem dúvida, além das que escuto, são muitas  as histórias de resistência e superação de pessoas vítimas de  acidentes, doenças, catástrofes naturais (terremotos, furacões e enchentes). Bem como de situações sociais degradantes, como a miséria, o desemprego, a violência física, psicológica e sexual, os diversos tipos de preconceito (racismo, idade, peso/tamanho, nativismo, sexismo, homofobia, etc.) Enfim, são relatos de pessoas que  conseguiram minimizar os efeitos nocivos que poderiam carregar da experiência traumática, mas deram a volta por cima.

Como exemplo de história que transmite resiliência, citarei aqui a da artista Madonna. No dia 16 de agosto, de 1958 nascia, em Bay City, Michigan (EUA), Madonna Louise Ciccone. Ela passou a infância em Pontiac, um subúrbio de Detroit e Avon Township. Quando tinha cinco anos, sua mãe faleceu, vítima de um câncer de mama, aos 30 anos. Meses antes de sua morte, Madonna havia notado mudanças no comportamento de sua mãe. Estava atenta, embora não entendesse a razão disso. Sra. Ciccone, não encontrando maneiras para explicar sua terrivel condição médica, muitas vezes começava a chorar, quando questionada por Madonna, altura em que esta respondia com um abraço fraternal em sua mãe. "Lembro-me sentindo mais forte do que ela era". Madonna lembra: "Eu era tão pequena e ainda assim eu senti que ela era a criança." Madonna reconheceu mais tarde que ela não tinha entendido o conceito de sua mãe morrer. "Havia tanta coisa não dita, tantas emoções a desembaraçar e resolver, remorso, culpa, perda, raiva, confusão. [...] Eu vi minha mãe, com o olhar tão bonito e mentiram para mim como se ela estivesse dormindo em um caixão aberto. Então, eu notei que a boca de minha mãe estava engraçada. Levei algum tempo para perceber que ela tinha sido enterrada. Nesse momento terrível, eu comecei a entender o que eu tinha perdido para sempre. A imagem final da minha mãe, ao mesmo tempo tão pacífica e grotesca, assombra-me até hoje." Madonna finalmente aprendeu a cuidar de si mesma e de seus irmãos, virou-se para a avó, na esperança de encontrar algum conforto e alguma forma de sua mãe nela. Os irmãos Ciccone, ressentidos, invariavelmente, rebelaram -se contra qualquer pessoa trazida para casa ostensivamente para tomar o lugar de sua querida mãe. Em entrevista à Vanity Fair, Madonna comentou que ela se via em sua juventude como uma jovem "solitária, que procurava por alguma coisa. De certa maneira, eu não era rebelde. Importava-me em ser boa em alguma coisa. Eu não raspava minhas axilas, não usava maquiagem como garotas normais. Mas, estudei e tenho boas qualidades.... Eu queria ser alguém." Temendo que seu pai poderia ser tirado de seu convívio, Madonna foi muitas vezes incapaz de dormir sem estar perto dele. Seu pai se casou com a governanta da família Joan Gustafson, tiveram dois filhos: Jennifer e Mario Ciccone. Neste momento, Madonna começou a expressar sentimentos não resolvidos de raiva para o pai, que perduraram por décadas, desenvolvendo nela uma atitude rebelde. Já adulta, ao receber o prêmio de Mulher do Ano - 2016 da revista
Americana Billboard, em Nova York, Madonna em sua fala de agradecimento falou sobre sexismo, misoginia e uma série de obstáculos sofridos ao longo da vida. Em uma das partes do discurso,   falou de sua vida como adolescente, quando havia acabado de se mudar para Nova York: "As pessoas estavam morrendo de AIDS em todos os lugares. Não era seguro ser gay, não era legal ser associada à comunidade gay. Era 1979 e Nova York era um lugar muito assustador. No meu primeiro ano [na cidade], eu fiquei sob a mira de uma arma de fogo, fui estuprada num terraço com uma faca na minha garganta, tive meu apartamento invadido e roubado tantas vezes que eu parei de trancar as portas. Com o passar do tempo, perdi para a AIDS ou para as drogas ou para as armas quase todos meus amigos que tinha. Como vocês podem imaginar, todos esses acontecidos inesperados não apenas me ajudaram a me tornar a mulher ousada que está aqui, mas também me lembraram que sou vulnerável, e que na vida não há segurança verdadeira, exceto sua auto-confiança.” No final de seu discurso, Madonna relembrou alguns artistas já falecidos:“Eu acho que a coisa mais controversa que eu já fiz foi ficar aqui. Michael [Jackson] se foi. Tupac se foi. Prince se foi. Whitney [Houston] se foi. Amy Winehouse se foi. David Bowie se foi. Mas eu continuo aqui. Eu sou uma das sortudas e todo dia eu agradeço por isso."

Nota-se que a Madonna pode ser considerada uma pessoa com caráter resiliente. Para a psicologia, resiliência é a capacidade humana de enfrentar, sobrepor-se ou sair fortalecido ou transformado de experiências de adversidade. É a capacidade de utilizar situações adversas para o crescimento e desenvolvimento emocionais, habilidade de retornar ao estado habitual de saúde mental, após passar por momentos trágicos. Com base nisso, é correto dizer que as características do caráter resiliente são: introspecção, autonomia, capacidade  de - diante de uma situação adversa- manter distância emocional, sem cair no isolamento, capacidade de se relacionar e estabelecer laços de intimidade com outras pessoas, capacidade de manter relações e de se colocar no lugar do outro, ter iniciativa, bom humor (não é euforia), criatividade, capacidade de criar ordem, beleza e finalidade, a partir do caos e da desordem, senso ético, capacidade de comprometer-se com valores, autoestima consistente e capacidade de dar sentido emocional às experiências de vida por meio da utilização de simbolização.

Se considerarmos que a resiliência se baseia  nas experiências relacionais precoces e na possibilidade de estabelecer laços sociais posteriores, pode-se afirmar que um fator de proteção e fortalecimento para superar adversidades complexas é o fato de estes indivíduos apresentarem, pelo menos, um vínculo seguro na infância com uma pessoa significativa. Isto quer dizer que para a obtenção de um caráter resiliente, o importante é contar com apoio incondicional de uma figura significativa, como o acolhimento materno que tenha sido recebido incondicionalmente. Mas, é bom lembrar que não precisa ser necessariamente a mãe quem faz esta função. O que importa é haver essa figura significativa. A psicanalista Alice Miller (2004) chama essa pessoa significativa de testemunhas auxiliadora e conhecedora. A testemunha auxiliadora é uma pessoa (tia, avó, irmãos, vizinha, empregada, babá, professora) que ajuda a criança maltratada ou negligenciada, ainda que de forma esporádica, oferecendo-lhe apoio, amor, carinho, sem a intenção de manipulá-la, com a finalidade de educá-la, de confiar nela e transmite-lhe a sensação de que não é má, que merece ser tratada com respeito. Muitas vezes, a criança acredita ser maltratada por ser má, ou culpada por apanhar, ser xingada, abusada, negligenciada, carregando consigo esses sentimentos por toda sua vida, comprometendo sua noção de valor (autoestima), e até suas escolhas. Essa testemunha será muito lembrada quando adulta, descobrindo a diferença que o amor dessa pessoa fez em sua história. Muitas repetições de padrões destrutivos são rompidos devido a essa testemunha. Em casos em que essa testemunha for totalmente ausente, quando adulta, poderá usar a violência em que foi tratada quando criança, em seus próprios filhos, empregados, etc. Alice Miller estudou a infância de Hitler e não foi encontrada nenhuma pessoa significativa em sua vida. Já a testemunha conhecedora é uma pessoa que conhece as consequência da negligência e do abuso (psicológico, físico e sexual) sofrido pela criança. Na vida adulta, a testemunha conhecedora pode representar um papel semelhante ao da testemunha auxiliadora na infância. Pode ajudar, transmitindo aos adultos que sofreram algum tipo de abuso - na infância - empatia, acolhimento, validação dos sentimentos, ajudando-os assim a entender melhor suas histórias, seus sentimentos de medo e impotência - para que agora na idade adulta possam ter mais liberdade em suas escolhas, libertando-os das consequências do sofrimento do passado. Então, podemos supor que a sorte da Madonna foi a presença de pessoas significativas em sua vida, tanto na infância quanto na idade adulta, possibilitando, assim, o desenvolvimento do seu caráter resiliente.


Como foi dito anteriormente, na vida adulta, a testemunha conhecedora pode representar um papel semelhante ao da testemunha auxiliadora na infância. Dentre algumas testemunhas conhecedoras estão aqueles psicólogos(as) que estudam e trabalham com abusos sofridos na infância, pois quando adulto, é indispensável  a  presença da testemunha conhecedora, para  que haja libertação do sofrimento da infância. Mesmo porque, muitas dessas questões são dolorosas e é preciso "elaborar", isto é, transformá-las em algo produtivo que possa contribuir para vida da pessoa. É nesse contexto que entra a figura dos psicólogos e processos terapêuticos, lugar este, onde é possível transformar frustração e sofrimento em realização e felicidade.


Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)

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contato: neatauil@gmail.com
Referência: 
Miller, Alice; A verdade Liberta: superando a cegueira emocional. São Paulo: Martins Fontes, 2004

sexta-feira, 23 de junho de 2017

BAIXA AUTOESTIMA PREJUDICA A RELAÇÃO AMOROSA


Por Néa Tauil



Nas relações íntimas, a autoestima direciona o tipo de relacionamento a ser conservado, pois quaisquer que sejam nossos sentimentos sobre nós mesmos, tendemos a refleti-los em nossos relacionamentos. Ou seja, a maneira como nos posicionamos diante de nós mesmos - na vida - direciona como vamos lidar com as outras pessoas. Isso significa que uma pessoa com boa relação consigo mesmo terá boas relações com os outros. O contrário também é verdadeiro: uma pessoa que se desmerece, que  diz  para si coisas negativas e que não acredita, ou não confia em si mesmo, seus relacionamentos refletirão esse negativismo. 

Como se pode ver, a questão da autoestima é muito mais importante do que as pessoas pensam, já que o nível de autoestima que uma pessoa manifesta influencia positiva ou negativamente tudo em sua vida. Há muitas definições para autoestima, mas todas têm em comum o conceito de amor por si mesmo. Mas o que é o amor por si mesmo? É agir amorosamente em relação a sua pessoa, satisfazer suas próprias necessidades e desejos, nutrir consideração e respeito por si mesmo, saber valorizar o que se tem de melhor, como também reconhecer os defeitos e limitações.

Na relação amorosa, os parceiros podem apresentar um nível alto ou baixo de autoestima. Nesse sentido, pode-se dizer que a pessoa com  autoestima alta acredita em si mesmo, é o que quer ser, desfruta a vida e assume responsabilidade sem culpar os outros e sem se justificar pelas escolhas que faz. Já quem sofre de baixa autoestima tende a interpretar fatos e sinais de uma maneira ruim e tem uma visão extremamente negativa de si próprio o tempo todo. A baixa autoestima é um sentimento de menos valia e que está sempre associada ao sentimento de insegurança. Estudos mostram claramente que a visão negativa que se tem de si mesmo é um fator determinante para o surgimento de transtornos psicológicos, como fobias, depressão, estresse, ansiedade, insegurança interpessoal, problemas de relacionamento e muitos outros. É fato que  pessoas com baixa autoestima tendem a adoecer mais, devido ao nível de exigência que se impõem para agradar aos outros, pelo alto desgaste emocional para lidar com as dificuldades, pela instabilidade e fragilidade emocional de se ver por meio dos "olhos" dos outros, o que promove frustrações diante de desaprovações. Não é demais ressaltar que os problemas de muitas pessoas é que se desprezam e se consideram seres sem valor e indignos de serem amados. 

Sem dúvida, a baixa autoestima prejudica a relação amorosa, já que  o parceiro(a) se relaciona com os recursos que lhe são oferecidos. Dessa forma, na relação amorosa é necessário primeiro gostar de si para que cada um desenvolva seus próprios recursos de modo a não se anular e não sobrecarregar o parceiro. Nesse sentido, pode -se notar que a autoestima não é apenas uma questão externa relacionada exclusivamente à  aparência, é  - acima de tudo  - uma questão interna. Por isso, investir apenas em transformações físicas como ( alterações de peso ou um corte de cabelo) não são suficientes para melhoria do autoconceito, pois o nível da autoestima está diretamente ligado ao modo como a pessoa se conhece, lida com suas emoções diante da realidade  e enfrenta as diversas situações. 

Com certeza, para amar a si mesmo é preciso se conhecer, a fim de atender as próprias necessidades e desejos. Conhecer-se melhor, sabemos, desde Sócrates (470-399 a.C.), é fundamental para o viver, já que os outros entram em nossa sintonia e repetem o que emanamos. Então, se é assim, seja o primeiro a se dar carinho, afeto, consideração e respeito, pois quando um dos parceiros não se ama e não se respeita, não pode exigir que o outro o ame e respeite.



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sábado, 20 de maio de 2017

ANSIEDADE É MEDO?

Por Néa Tauil





Os quadros ansiosos  são reações naturais do organismo, que podem se manifestar diante das mais diversas situações. No entanto, é preciso saber identificar a partir de que ponto as sensações deixam de ser um sentimento normal e passam a ser disfuncional e trazer prejuízos ou sofrimentos importantes, pois constante nervosismo, preocupação excessiva, necessidade de fazer rápido o que precisa ser feito, medo de que algo dê errado, sentimento de cansaço e dificuldade de concentração são sensações características de quem sofre de ansiedade, as quais afetam diversos aspectos da vida pessoal, como o trabalho e os relacionamentos.

Não podemos negar que a modernidade é responsável por vários avanços da humanidade. Mas também não podemos desconsiderar o fato de que todo avanço pode causar transtornos. Nesse sentido, a ansiedade tem sido tratada como uma das principais desordens da sociedade moderna, pois quando passa do limite, começa a causar prejuízos, por ser a porta de entrada para outros distúrbios, porque a ansiedade excessiva pode contribuir  para o desencadeamento de diversas doenças psicológicas mais graves, como: TOC (transtorno Obsessivo Compulsivo), Transtorno de Ansiedade Generalizada, Fobia Social, Transtorno do Pânico, entre outras.

Muitas pessoas confundem medo com ansiedade. Mas  há diferença e semelhança entre ambos. As diferenças são: O medo é a avaliação de perigo e a ansiedade é o estado de sentimento desagradável evocado quando o medo é estimulado. Isto é, o medo está relacionado à valoração de um perigo iminente e a ansiedade com a expectativa de que algo irá acontecer no futuro. O medo  é fundamental para nos deixar atentos e para contribuir no processo de tomadas de providências, quando surgir um momento adverso. Diz respeito à sobrevivência. Por exemplo: Uma pessoa passeando no shopping e, de repente escuta gritaria e tiros, imediatamente ela se agacha ou tenta se esconder, pois a possibilidade de estar acontecendo um assalto é concreta. Nesse caso, a pessoa está diante de um perigo real. Por outro lado, a ansiedade está relacionada com questões existenciais, é um produto de nossa imaginação, uma espécie de medo criado pela mente em que a pessoa substitui o sentir pelo imaginar e passa a acreditar naquilo que imagina. A exemplo disso, podemos citar o medo referente a ser ridículo, de errar, de ser humilhado, à perda de status, conforto, poder econômico, afetos, amizades, controles, privilégios ou até mesmo temor à solidão, o não reconhecimento, o amor não correspondido, etc. Então, sentir ansiedade é como imaginar alguma coisa que não se deseja  e ficar preocupado com fatos que ainda não ocorreram.

E qual é a semelhança entre o medo e a ansiedade? A semelhança está na
reação do corpo, pois o corpo diante do perigo real (medo) ou perigo imaginário (ansiedade) reage da mesma forma. Isto é, ao sentir perigo - seja ele real ou imaginário - as defesas do organismo disparam em alta velocidade, em um processo rápido, automático, conhecido como a reação "lutar ou fugir" ou reação ao estresse. Dessa forma, quando a pessoa percebe a ameaça, seu sistema nervoso reage com a liberação de uma inundação de hormônios do estresse, incluindo a adrenalina e cortisol. Esses hormônios despertam  o corpo para ações de emergência.  O coração acelera, os sentidos  são aguçados, os músculos contraem,  as glândulas funcionam diferentemente, a pressão arterial sobe, a respiração encurta. Estas alterações físicas aumentam a força e o vigor, acelera o tempo de reação e aprimora o foco - preparando a pessoa para lutar ou fugir do perigo.  Porém, nosso corpo não sabe distinguir entre um perigo real (medo) e um perigo imaginário (ansiedade - produtos dos nossos pensamentos). No medo real, após passar o perigo, o corpo retorna ao seu estado normal, mas no medo imaginário, mantém-se o estado de alerta enquanto durar nossa crença na ameaça a nossa pessoa.

Como vimos, a tensão que vem da mente é, sim, capaz de desencadear efeitos pelo corpo, que reage de diferentes formas. Então, cuidar da parte psíquica é também uma forma de garantir melhor saúde física, já que o cérebro está diretamente ligado ao sistema imunológico e ao bom  ou mau  funcionamento do organismo. Embora seja comum as pessoas relutarem para buscar ajuda psicológica, mais uma vez é bom lembrar que ansiedade excessiva pode contribuir  para o desencadeamento de diversas doenças psicológicas mais graves que podem interferir severamente na qualidade de vida. Dessa forma, independente de qual seja a origem, qualquer sinal de que algo não está bem no eixo mente-corpo deve ser levado em consideração e um especialista deve ser procurado.


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domingo, 30 de abril de 2017

PRECONCEITO SE APRENDE


Por Néa Tauil



Em termos gerais, os seres humanos tendem a desenvolver facilmente preconceitos no que se refere a tudo o que seja diferente e variante em relação a si mesmo ou em relação a grupos ao qual pertencem.  Mas é bom lembrar que o preconceito e a intolerância envolvem sempre um considerável grau de ignorância, podendo chegar à violência. Na mídia diárianão faltam exemplos de que muitos seres humanos são capazes de agir com extrema violênciaquando não aprendem a desenvolver respeito e tolerância com as diversidades. Não foi por acaso que Nelson Mandela disse: " Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
Na realidade, o tipo de educação familiar que uma pessoa recebe, na infância, é fator determinante no comportamento e, consequentemente, na qualidade de vida dela, quando adulta. De fato, uma criança que nasce, cresce e desenvolve-se num ambiente onde ela é respeitada, tratada com amor, consideração e orientação honesta para viver no mundo, tem tendência  na idade adulta a sentir prazer na vida e, não a necessidade de matar, enganar, mentir, ferir a si mesma e os outros, simplesmente porque não terá como tarefa inconsciente  reprimir experiências de crueldade. Porém, uma criança que foi tratada com agressão, castigo, humilhação, que foi manipulada, negligenciada, enganada, explorada, etc. terá como tarefa inconsciente reprimir as experiências traumáticas geradas pelos abusos, que embora permaneçam inconscientes, vão encontrar expressão em seus atos destrutivos contra outras pessoas ou contra a si mesma.

Com certeza, aprende-se a amar e a odiar na família, de onde também provém o preconceito. Nenhum ser humano, ao nascer, traz consigo o racismo, a homofobia, a psicofobia, a xenofobia, a transfobia, a obesofobia, a gerontofobia e muitos outros tipos de preconceito. Na verdade, o processo de construção das ideias preconceituosas acontece durante o desenvolvimento infantil, pois nascemos inconclusos, do ponto de vista emocional, cognitivo, físico e social. Após o nascimento, iremos precisar de alguém que cuide de nós, que nos dê apoio e suporte para aprender, para superar desafios que são apresentados a cada instante, como estímulos para continuar nosso desenvolvimento. Seja como for,  vamos amadurecendo, guiados pelos nossos pais ou cuidadores, que são nossos modelos, por isso, os preconceitos que eles  não superaram serão  repassados para nós.
Isso quer dizer que os preconceitos carregados por nós não passam de opiniões de outras pessoas que aceitamos e incorporamos. Ou seja, durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Isto é, a criança terá inscrito - em si - um padrão, características "formatadas," nessas relações fundamentais com os pais,  e na idade adulta, não se dá conta que está sendo influenciada por esses padrões, na  sua forma de pensar, de sentir e de agir. Por exemplo: quanto ao homofóbico, o primeiro problema é a própria cultura familiar de onde ele provém. Essa família é tão preconceituosa quanto ele. Ele aprendeu a ser homofóbico dentro de casa. Isso significa que na idade adulta as reações dos pais provavelmente serão de apoio ao comportamento e às ideias do filho com relação à homossexualidade. Nesse contexto, os compromissos com valores morais, a tolerância com o diferente, o elo com a justiça, o sentimento de solidariedade e a compaixão - que deveriam ser firmados na infância e adolescência - dão lugar à fenômenos como o Bullying.

Normalmente, quando se julga alguém, nunca se pensa de fato sobre si mesmo, e o que se vê são pessoas projetando inconscientemente  - nos outros - atributos pessoais, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie. Isto é, ao invés de a pessoa reconhecer o que desgosta em si, ela projeta em outra pessoa, sem perceber que tudo o que  gosta ou detesta no outro é porque tem em si. É o que provavelmente acontece com  o homofóbico. Ele tem alguma percepção inconsciente de sua própria homossexualidade. Então, agride o homossexual que encontra na rua, porque - de certo modo - está atacando e tentando destruir a própria homossexualidade. 


Sem dúvida, padrões negativos  arquivados no inconsciente podem  surgir a qualquer momento e influenciar várias ações, levando a pessoa a agir contra si mesma e contra outras pessoas. Felizmente, há tratamento. O primeiro passo é optar  por viver de forma consciente e buscar ajuda psicológica para   investir em autoconhecimento, já que conhecer a si próprio aumenta a autoestima, que por sua vez, faz a pessoa se sentir mais segura e confiante, para se reconciliar consigo e abrir-se às mudanças que são necessárias para respeitar e valorizar a individualidade tanto do outro quanto a própria, pois somente quando estamos mentindo para nós mesmos e odiando algum  aspecto que nos pertence é que nos tornamos emocionalmente estressados com a vida de outra pessoa.


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sexta-feira, 31 de março de 2017

Está triste, come. Está com medo, come. Está com raiva, come. Aonde vai dar isso?

Por Néa Tauil


É difícil para muita gente acreditar  e aceitar que o aumento de peso pode ser gerado por fatores emocionais, considerando apenas os fatores genéticos, ambientais e também as alterações hormonais. Mas, enquanto as questões emocionais forem negligenciadas, iremos encontrar  milhares de tentativas fracassadas de emagrecimento, pois elas costumam funcionar como fatores desencadeantes e mantenedores do sobrepeso e da obesidade.

É fato que o aumento de peso pode ser gerado por um conjunto de fatores, mas o componente psicológico  exerce papel importante nesse cenário, pois o organismo e a mente são expressões integradas de um mesmo ser, se algo não vai bem em uma das partes, outras poderão ser afetadas, porque corpo e mente são estruturas que integram a individualidade, formando o  todo. Ou seja, a mente pode influenciar na saúde do organismo, e este; na saúde da mente. Portanto, uma doença que se manifesta fisicamente pode afetar a mente em vários aspectos. Assim, como também a mente pode adoecer o corpo.  

Não há mais dúvida sobre a inteireza do corpo e a inseparalidade das funções do organismo e das experiências emocionais. McDougall (1987) nos fala de sujeitos que reagem ao desamparo emocional essencialmente por meio dos sintomas, o que ela chama de "potencialidade psicossomática". Mas ressalta que todos nós temos tendência a somatizar quando as situações ultrapassam nossa capacidade para lidar com elas. Em outros termos, os problemas interpessoais angustiantes que não podem ser resolvidos pela mente racional serão " absorvidos" por alguma outra parte do corpo e se convertem em sintomas e sinais - as somatizações. O sintoma pode ser a pista para decodificar, como um "recado" o que a mente inconsciente estar a revelar.

A obesidade é um sintoma, ou seja, uma manifestação subjetiva que "comunica" - eventualmente pelo corpo - algo que não pode ser elaborado emocionalmente. Veja que essa forma de comunicar conflitos - por intermédio do corpo - não é, logicamente, exclusiva de indivíduos obesos (Spada, 2009). Nesse sentido, a causa pode estar no inconsciente, pois quando não há  a possibilidade de reconhecer, tornar consciente e verbalizar os sentimentos e emoções,  o corpo adoece.

No entanto, a maneira como o inconsciente interfere em cada indivíduo é relativo, já que leva em  consideração a história de vivência de cada um, isto é, experiências pessoais e coletivas. Ou seja, durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Estudos da Kaiser Permanent, organização sem fins lucrativos da Califórnia, comprovam que adultos com problemas de obesidade, saúde mental, vício e outras condições tinham tido desenvolvimento comprometido na primeira infância. Nesse sentido, podemos dizer que não é por acaso que a confusão entre aflição emocional e fome ou a interpretação equivocada dos sinais de fome podem levar uma pessoa a comer compulsivamente na idade adulta.
Ou seja, pode ser que os pedidos da criança por alívio tenham sempre recebido respostas inadequadas, de forma que, quando ela chorava, pensavam que estava com fome ou ofereciam-lhe "guloseimas". O bebê também pode ter sido alimentado em horários rígidos, em vez de em resposta à sua fome ( engolir goela abaixo). A comida podia ser insuficiente quando a criança precisava. Há também outras vivências igualmente complexas, relacionadas à proximidade e identidade que podem levar uma pessoa a comer compulsivamente. Por exemplo, um dos pais podia adorar comer e ter comunicado sua paixão por tudo relacionado a comida ao filho, e o tempo que passavam juntos podia estar permeado da sensualidade da comida. A preparação da comida e a antecipação de suas delícias, o ato de comerem juntos, estabeleceram e significaram um determinado vínculo entre eles. Ou a comida pode ter sido sempre um campo de batalha, em que a criança pode ter sido colocada em dieta e rebelou-se, acabando por desenvolver uma síndrome completa de dieta/episódios compulsivos, e outros. 

Certamente, o que acontece na infância, não fica só lá, os resultados se estendem para a vida adulta. Partindo desse pressuposto, tratamentos que visem à diminuição de peso não devem ignorar os possíveis fatores emocionais ligados ao ato de comer. Sendo a psicoterapia uma importante aliada no combate ao sobrepeso e obesidade, é primordial que se trabalhe -  por meio dela - as muitas questões com as figuras de pai e mãe, traumas, crenças, conflitos que impedem de atingir o peso ideal,  reviver e dar-se conta das emoções e dos sentimentos que foram negados e rejeitados. Enfim, descobrir  como os problemas emocionais passaram a converter-se em problemas de peso, para que dessa forma a comida deixe de ser um substituto emocional  e o emagrecimento não seja mais uma condição temporária. 



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Referências:
McDougall, J. Coferências Brasileiras. Rio de Janeiro - RJ: Xenon, 1987.
Spada, Patrícia Vieira. Obesidade e Sofrimento Psíquico: Realidade, Conscientização e Prevenção. 
São Paulo - SP: Editora Unifesp, 2009.





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

QUANDO O ESTRESSE SE TRANSFORMA EM DOENÇA


Por Néa Tauil



Hoje em dia, fala-se muito a respeito de estresse. Todos parecem estar estressados com alguma coisa, nessa sociedade globalizada e exigente em que vivemos, onde a cobrança, tanto por resultado quanto por padrões, tornou-se cada vez mais recorrente.  Mas, por definição, o estresse é uma resposta física normal para eventos que fazem a pessoa se sentir ameaçada ou quando está sob pressão. Isso significa que o estresse é essencial para a sobrevivência humana porque produz uma reação positiva diante de uma situação ameaçadora ou de risco, motivando a pessoa a agir de maneira rápida para reverter o perigo ou o desconforto. Porém, ele pode ser desmotivador, provocar reações negativas e se transformar em doença. 

Sem dúvida, o estresse possui um lado positivo e outro negativo. E em ambos os lados, o medo está presente, já que é uma emoção  que se manifesta a partir da percepção de perigo ou de algo nocivo, gerando um comportamento defensivo. Ou seja, o medo é fundamental para nos deixar atentos e para contribuir no processo de tomadas de providências, quando surgir um momento adverso.
Certamente, a lista do medo é interminável, todos nós o experimentamos  - isso é normal - pois o medo é um sinal de proteção. No entanto, esse sentimento pode se tornar um produto da nossa imaginação. Muitas pessoas confundem alguns tipos de situações com o medo, enganando-se ao credenciá-lo como ansiedade. A ansiedade é uma espécie de medo criada pela mente. Nesse caso, há o medo do fracasso, de errar, do que os outros possam achar, de ser criticado, de sofrer, etc. Sendo que isso não tem nada a ver com sobrevivência, e, sim, com existência. Isto é, o medo está ligado a um objeto real, por exemplo, medo de ser mordido por um cachorro, ao se deparar com elePois  o animal existe e oferece "perigo", enquanto a ansiedade é algo construído pela mente, como  ocorre no caso da agorafobia (medo de lugares públicos e amplos, onde possa haver aglomeração de pessoas). Ao contrário do que possa parecer, o que está em jogo nesse caso não é o temor da multidão em si, mas a antecipação do risco que pode se configurar. O certo é, ao ficar com a obsessão de que algo ruim poderá acontecer, antecipando o encontro com a situação ou objeto que poderá causar algum mal, a pessoa viverá em constante estado de alerta. E é em decorrência disso que o perigo realmente aparece, porque o cérebro não distingue perfeitamente a imaginação da realidade; nossa fisiologia responde ao que foi projetado no interior de nossa mente (nossa imaginação). 

Isso quer dizer que a reação do corpo diante do perigo real e imaginário é a mesma? Sim, pois como foi dito anteriormente, o estresse é uma resposta física normal para eventos que fazem a pessoa se sentir ameaçada ou quando está sob pressão. Então, ao sentir perigo - seja ele real ou imaginário - as defesas do organismo disparam em alta velocidade em um processo rápido, automático, conhecido como a reação "lutar ou fugir" ou reação ao estresse. Dessa forma, quando a pessoa percebe a ameaça, seu sistema nervoso reage com a liberação de uma inundação de hormônios do estresse, incluindo a adrenalina e cortisol. Esses hormônios despertam  o corpo para ações de emergência.  O coração acelera, os sentidos  são aguçados, os músculos contraem,  as glândulas funcionam diferentemente, a pressão arterial sobe, a respiração encurta. Estas alterações físicas aumentam a força e o vigor, acelera o tempo de reação e aprimora o foco - preparando a pessoa para lutar ou fugir do perigo.  Porém, no medo real, após passar o perigo, o corpo retorna ao seu estado normal, mas no medo imaginário, mantém-se o estado de alerta constante, com isso, chegando ao estresse.

É fato que o estresse faz parte do sistema de mecanismo fisiológico dos homens e animais, que é fundamental para a nossa sobrevivência, sendo gerador de adrenalina. Também, favorece a produção  de cortisol, um hormônio estressor, que ativa as repostas do corpo em posições desfavoráveis, seja elas quais forem (perigo real ou imaginário). O cortisol tem papel importante no organismo e é necessário para manter o equilíbrio físico, porém, quando existe excesso no sangue, deixa de ser útil e começa a causar grandes danos a saúde. Em outras palavras, o mesmo processo cerebral que auxilia a sobrevivência, protegendo o organismo em momentos de estresse agudo, contribui para o seu adoecimento em momentos de estresse crônico.

Podemos afirmar que o estresse não é uma doença. Torna-se, quando passa a ser excessivo (frequente tensão, vigilância em demasia, querer controlar tudo, exigências e preocupações pessoais e profissionais, pressões, comprometimentos exagerados, etc.) desencadeando sofrimento tanto psíquico como físico. Os sintomas psíquicos mais comuns são: memória fraca, introspecção, isolamento, tiques nervosos, desmotivação, irritabilidade, autoritarismo, etc). E os sintomas físicos mais comuns são: indigestão, dores de cabeça, alergias, insônia, diarreia, mudança de apetite, esgotamento físico, gastrite, taquicardia, etc). Além, é claro, dos riscos mais graves, como depressão, infarto, obesidade e muitos outros.

Diante do que foi visto, percebe-se que é extremamente importante conseguir lidar com o estresse e até evitá-lo, já que, quando deixa de ser protetivo e  ultrapassa o limite do que realmente é necessário, gera graves prejuízos. Portanto, a melhor alternativa é a prevenção. Isso quer dizer que se a pessoa vai periodicamente ao médico(a) é necessário ir também a um psicólogo(a) para fazer uma avaliação frequente das suas emoções, relacionamentos, traumas, projetos  de vida, frustrações, vitórias, tomar consciência  dos medos que são reais e dos que são imaginários, entender quais são suas principais necessidades, metas, etc. pois é fato que o autoconhecimento e a autoaceitação podem atuar como agentes para preservar tanto o corpo quanto a mente de certos desconfortos.



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