Google+ Followers

sábado, 20 de maio de 2017

ANSIEDADE É MEDO?

Por Néa Tauil





Os quadros ansiosos  são reações naturais do organismo, que podem se manifestar diante das mais diversas situações. No entanto, é preciso saber identificar a partir de que ponto as sensações deixam de ser um sentimento normal e passam a ser disfuncional e trazer prejuízos ou sofrimentos importantes, pois constante nervosismo, preocupação excessiva, necessidade de fazer rápido o que precisa ser feito, medo de que algo dê errado, sentimento de cansaço e dificuldade de concentração são sensações características de quem sofre de ansiedade, as quais afetam diversos aspectos da vida pessoal, como o trabalho e os relacionamentos.

Não podemos negar que a modernidade é responsável por vários avanços da humanidade. Mas também não podemos desconsiderar o fato de que todo avanço pode causar transtornos. Nesse sentido, a ansiedade tem sido tratada como uma das principais desordens da sociedade moderna, pois quando passa do limite, começa a causar prejuízos, por ser a porta de entrada para outros distúrbios, porque a ansiedade excessiva pode contribuir  para o desencadeamento de diversas doenças psicológicas mais graves, como: TOC (transtorno Obsessivo Compulsivo), Transtorno de Ansiedade Generalizada, Fobia Social, Transtorno do Pânico, entre outras.

Muitas pessoas confundem medo com ansiedade. Mas  há diferença e semelhança entre ambos. As diferenças são: O medo é a avaliação de perigo e a ansiedade é o estado de sentimento desagradável evocado quando o medo é estimulado. Isto é, o medo está relacionado à valoração de um perigo iminente e a ansiedade com a expectativa de que algo irá acontecer no futuro. O medo  é fundamental para nos deixar atentos e para contribuir no processo de tomadas de providências, quando surgir um momento adverso. Diz respeito à sobrevivência. Por exemplo: Uma pessoa passeando no shopping e, de repente escuta gritaria e tiros, imediatamente ela se agacha ou tenta se esconder, pois a possibilidade de estar acontecendo um assalto é concreta. Nesse caso, a pessoa está diante de um perigo real. Por outro lado, a ansiedade está relacionada com questões existenciais, é um produto de nossa imaginação, uma espécie de medo criado pela mente em que a pessoa substitui o sentir pelo imaginar e passa a acreditar naquilo que imagina. A exemplo disso, podemos citar o medo referente a ser ridículo, de errar, de ser humilhado, à perda de status, conforto, poder econômico, afetos, amizades, controles, privilégios ou até mesmo temor à solidão, o não reconhecimento, o amor não correspondido, etc. Então, sentir ansiedade é como imaginar alguma coisa que não se deseja  e ficar preocupado com fatos que ainda não ocorreram.

E qual é a semelhança entre o medo e a ansiedade? A semelhança está na
reação do corpo, pois o corpo diante do perigo real (medo) ou perigo imaginário (ansiedade) reage da mesma forma. Isto é, ao sentir perigo - seja ele real ou imaginário - as defesas do organismo disparam em alta velocidade, em um processo rápido, automático, conhecido como a reação "lutar ou fugir" ou reação ao estresse. Dessa forma, quando a pessoa percebe a ameaça, seu sistema nervoso reage com a liberação de uma inundação de hormônios do estresse, incluindo a adrenalina e cortisol. Esses hormônios despertam  o corpo para ações de emergência.  O coração acelera, os sentidos  são aguçados, os músculos contraem,  as glândulas funcionam diferentemente, a pressão arterial sobe, a respiração encurta. Estas alterações físicas aumentam a força e o vigor, acelera o tempo de reação e aprimora o foco - preparando a pessoa para lutar ou fugir do perigo.  Porém, nosso corpo não sabe distinguir entre um perigo real (medo) e um perigo imaginário (ansiedade - produtos dos nossos pensamentos). No medo real, após passar o perigo, o corpo retorna ao seu estado normal, mas no medo imaginário, mantém-se o estado de alerta enquanto durar nossa crença na ameaça a nossa pessoa.

Como vimos, a tensão que vem da mente é, sim, capaz de desencadear efeitos pelo corpo, que reage de diferentes formas. Então, cuidar da parte psíquica é também uma forma de garantir melhor saúde física, já que o cérebro está diretamente ligado ao sistema imunológico e ao bom  ou mau  funcionamento do organismo. Embora seja comum as pessoas relutarem para buscar ajuda psicológica, mais uma vez é bom lembrar que ansiedade excessiva pode contribuir  para o desencadeamento de diversas doenças psicológicas mais graves que podem interferir severamente na qualidade de vida. Dessa forma, independente de qual seja a origem, qualquer sinal de que algo não está bem no eixo mente-corpo deve ser levado em consideração e um especialista deve ser procurado.


Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)



Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
contato:neatauil@gmail.com

domingo, 30 de abril de 2017

PRECONCEITO SE APRENDE


Por Néa Tauil



Em termos gerais, os seres humanos tendem a desenvolver facilmente preconceitos no que se refere a tudo o que seja diferente e variante em relação a si mesmo ou em relação a grupos ao qual pertencem.  Mas é bom lembrar que o preconceito e a intolerância envolvem sempre um considerável grau de ignorância, podendo chegar à violência. Na mídia diárianão faltam exemplos de que muitos seres humanos são capazes de agir com extrema violênciaquando não aprendem a desenvolver respeito e tolerância com as diversidades. Não foi por acaso que Nelson Mandela disse: " Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
Na realidade, o tipo de educação familiar que uma pessoa recebe, na infância, é fator determinante no comportamento e, consequentemente, na qualidade de vida dela, quando adulta. De fato, uma criança que nasce, cresce e desenvolve-se num ambiente onde ela é respeitada, tratada com amor, consideração e orientação honesta para viver no mundo, tem tendência  na idade adulta a sentir prazer na vida e, não a necessidade de matar, enganar, mentir, ferir a si mesma e os outros, simplesmente porque não terá como tarefa inconsciente  reprimir experiências de crueldade. Porém, uma criança que foi tratada com agressão, castigo, humilhação, que foi manipulada, negligenciada, enganada, explorada, etc. terá como tarefa inconsciente reprimir as experiências traumáticas geradas pelos abusos, que embora permaneçam inconscientes, vão encontrar expressão em seus atos destrutivos contra outras pessoas ou contra a si mesma.

Com certeza, aprende-se a amar e a odiar na família, de onde também provém o preconceito. Nenhum ser humano, ao nascer, traz consigo o racismo, a homofobia, a psicofobia, a xenofobia, a transfobia, a obesofobia, a gerontofobia e muitos outros tipos de preconceito. Na verdade, o processo de construção das ideias preconceituosas acontece durante o desenvolvimento infantil, pois nascemos inconclusos, do ponto de vista emocional, cognitivo, físico e social. Após o nascimento, iremos precisar de alguém que cuide de nós, que nos dê apoio e suporte para aprender, para superar desafios que são apresentados a cada instante, como estímulos para continuar nosso desenvolvimento. Seja como for,  vamos amadurecendo, guiados pelos nossos pais ou cuidadores, que são nossos modelos, por isso, os preconceitos que eles  não superaram serão  repassados para nós.
Isso quer dizer que os preconceitos carregados por nós não passam de opiniões de outras pessoas que aceitamos e incorporamos. Ou seja, durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Isto é, a criança terá inscrito - em si - um padrão, características "formatadas," nessas relações fundamentais com os pais,  e na idade adulta, não se dá conta que está sendo influenciada por esses padrões, na  sua forma de pensar, de sentir e de agir. Por exemplo: quanto ao homofóbico, o primeiro problema é a própria cultura familiar de onde ele provém. Essa família é tão preconceituosa quanto ele. Ele aprendeu a ser homofóbico dentro de casa. Isso significa que na idade adulta as reações dos pais provavelmente serão de apoio ao comportamento e às ideias do filho com relação à homossexualidade. Nesse contexto, os compromissos com valores morais, a tolerância com o diferente, o elo com a justiça, o sentimento de solidariedade e a compaixão - que deveriam ser firmados na infância e adolescência - dão lugar à fenômenos como o Bullying.

Normalmente, quando se julga alguém, nunca se pensa de fato sobre si mesmo, e o que se vê são pessoas projetando inconscientemente  - nos outros - atributos pessoais, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie. Isto é, ao invés de a pessoa reconhecer o que desgosta em si, ela projeta em outra pessoa, sem perceber que tudo o que  gosta ou detesta no outro é porque tem em si. É o que provavelmente acontece com  o homofóbico. Ele tem alguma percepção inconsciente de sua própria homossexualidade. Então, agride o homossexual que encontra na rua, porque - de certo modo - está atacando e tentando destruir a própria homossexualidade. 


Sem dúvida, padrões negativos  arquivados no inconsciente podem  surgir a qualquer momento e influenciar várias ações, levando a pessoa a agir contra si mesma e contra outras pessoas. Felizmente, há tratamento. O primeiro passo é optar  por viver de forma consciente e buscar ajuda psicológica para   investir em autoconhecimento, já que conhecer a si próprio aumenta a autoestima, que por sua vez, faz a pessoa se sentir mais segura e confiante, para se reconciliar consigo e abrir-se às mudanças que são necessárias para respeitar e valorizar a individualidade tanto do outro quanto a própria, pois somente quando estamos mentindo para nós mesmos e odiando algum  aspecto que nos pertence é que nos tornamos emocionalmente estressados com a vida de outra pessoa.


Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
Contato: neatauil@gmail.com


sexta-feira, 31 de março de 2017

Está triste, come. Está com medo, come. Está com raiva, come. Aonde vai dar isso?

Por Néa Tauil


É difícil para muita gente acreditar  e aceitar que o aumento de peso pode ser gerado por fatores emocionais, considerando apenas os fatores genéticos, ambientais e também as alterações hormonais. Mas, enquanto as questões emocionais forem negligenciadas, iremos encontrar  milhares de tentativas fracassadas de emagrecimento, pois elas costumam funcionar como fatores desencadeantes e mantenedores do sobrepeso e da obesidade.

É fato que o aumento de peso pode ser gerado por um conjunto de fatores, mas o componente psicológico  exerce papel importante nesse cenário, pois o organismo e a mente são expressões integradas de um mesmo ser, se algo não vai bem em uma das partes, outras poderão ser afetadas, porque corpo e mente são estruturas que integram a individualidade, formando o  todo. Ou seja, a mente pode influenciar na saúde do organismo, e este; na saúde da mente. Portanto, uma doença que se manifesta fisicamente pode afetar a mente em vários aspectos. Assim, como também a mente pode adoecer o corpo.  

Não há mais dúvida sobre a inteireza do corpo e a inseparalidade das funções do organismo e das experiências emocionais. McDougall (1987) nos fala de sujeitos que reagem ao desamparo emocional essencialmente por meio dos sintomas, o que ela chama de "potencialidade psicossomática". Mas ressalta que todos nós temos tendência a somatizar quando as situações ultrapassam nossa capacidade para lidar com elas. Em outros termos, os problemas interpessoais angustiantes que não podem ser resolvidos pela mente racional serão " absorvidos" por alguma outra parte do corpo e se convertem em sintomas e sinais - as somatizações. O sintoma pode ser a pista para decodificar, como um "recado" o que a mente inconsciente estar a revelar.

A obesidade é um sintoma, ou seja, uma manifestação subjetiva que "comunica" - eventualmente pelo corpo - algo que não pode ser elaborado emocionalmente. Veja que essa forma de comunicar conflitos - por intermédio do corpo - não é, logicamente, exclusiva de indivíduos obesos (Spada, 2009). Nesse sentido, a causa pode estar no inconsciente, pois quando não há  a possibilidade de reconhecer, tornar consciente e verbalizar os sentimentos e emoções,  o corpo adoece.

No entanto, a maneira como o inconsciente interfere em cada indivíduo é relativo, já que leva em  consideração a história de vivência de cada um, isto é, experiências pessoais e coletivas. Ou seja, durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Estudos da Kaiser Permanent, organização sem fins lucrativos da Califórnia, comprovam que adultos com problemas de obesidade, saúde mental, vício e outras condições tinham tido desenvolvimento comprometido na primeira infância. Nesse sentido, podemos dizer que não é por acaso que a confusão entre aflição emocional e fome ou a interpretação equivocada dos sinais de fome podem levar uma pessoa a comer compulsivamente na idade adulta.
Ou seja, pode ser que os pedidos da criança por alívio tenham sempre recebido respostas inadequadas, de forma que, quando ela chorava, pensavam que estava com fome ou ofereciam-lhe "guloseimas". O bebê também pode ter sido alimentado em horários rígidos, em vez de em resposta à sua fome ( engolir goela abaixo). A comida podia ser insuficiente quando a criança precisava. Há também outras vivências igualmente complexas, relacionadas à proximidade e identidade que podem levar uma pessoa a comer compulsivamente. Por exemplo, um dos pais podia adorar comer e ter comunicado sua paixão por tudo relacionado a comida ao filho, e o tempo que passavam juntos podia estar permeado da sensualidade da comida. A preparação da comida e a antecipação de suas delícias, o ato de comerem juntos, estabeleceram e significaram um determinado vínculo entre eles. Ou a comida pode ter sido sempre um campo de batalha, em que a criança pode ter sido colocada em dieta e rebelou-se, acabando por desenvolver uma síndrome completa de dieta/episódios compulsivos, e outros. 

Certamente, o que acontece na infância, não fica só lá, os resultados se estendem para a vida adulta. Partindo desse pressuposto, tratamentos que visem à diminuição de peso não devem ignorar os possíveis fatores emocionais ligados ao ato de comer. Sendo a psicoterapia uma importante aliada no combate ao sobrepeso e obesidade, é primordial que se trabalhe -  por meio dela - as muitas questões com as figuras de pai e mãe, traumas, crenças, conflitos que impedem de atingir o peso ideal,  reviver e dar-se conta das emoções e dos sentimentos que foram negados e rejeitados. Enfim, descobrir  como os problemas emocionais passaram a converter-se em problemas de peso, para que dessa forma a comida deixe de ser um substituto emocional  e o emagrecimento não seja mais uma condição temporária. 



Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)

Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com
Referências:
McDougall, J. Coferências Brasileiras. Rio de Janeiro - RJ: Xenon, 1987.
Spada, Patrícia Vieira. Obesidade e Sofrimento Psíquico: Realidade, Conscientização e Prevenção. 
São Paulo - SP: Editora Unifesp, 2009.





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

QUANDO O ESTRESSE SE TRANSFORMA EM DOENÇA


Por Néa Tauil



Hoje em dia, fala-se muito a respeito de estresse. Todos parecem estar estressados com alguma coisa, nessa sociedade globalizada e exigente em que vivemos, onde a cobrança, tanto por resultado quanto por padrões, tornou-se cada vez mais recorrente.  Mas, por definição, o estresse é uma resposta física normal para eventos que fazem a pessoa se sentir ameaçada ou quando está sob pressão. Isso significa que o estresse é essencial para a sobrevivência humana porque produz uma reação positiva diante de uma situação ameaçadora ou de risco, motivando a pessoa a agir de maneira rápida para reverter o perigo ou o desconforto. Porém, ele pode ser desmotivador, provocar reações negativas e se transformar em doença. 

Sem dúvida, o estresse possui um lado positivo e outro negativo. E em ambos os lados, o medo está presente, já que é uma emoção  que se manifesta a partir da percepção de perigo ou de algo nocivo, gerando um comportamento defensivo. Ou seja, o medo é fundamental para nos deixar atentos e para contribuir no processo de tomadas de providências, quando surgir um momento adverso.
Certamente, a lista do medo é interminável, todos nós o experimentamos  - isso é normal - pois o medo é um sinal de proteção. No entanto, esse sentimento pode se tornar um produto da nossa imaginação. Muitas pessoas confundem alguns tipos de situações com o medo, enganando-se ao credenciá-lo como ansiedade. A ansiedade é uma espécie de medo criada pela mente. Nesse caso, há o medo do fracasso, de errar, do que os outros possam achar, de ser criticado, de sofrer, etc. Sendo que isso não tem nada a ver com sobrevivência, e, sim, com existência. Isto é, o medo está ligado a um objeto real, por exemplo, medo de ser mordido por um cachorro, ao se deparar com elePois  o animal existe e oferece "perigo", enquanto a ansiedade é algo construído pela mente, como  ocorre no caso da agorafobia (medo de lugares públicos e amplos, onde possa haver aglomeração de pessoas). Ao contrário do que possa parecer, o que está em jogo nesse caso não é o temor da multidão em si, mas a antecipação do risco que pode se configurar. O certo é, ao ficar com a obsessão de que algo ruim poderá acontecer, antecipando o encontro com a situação ou objeto que poderá causar algum mal, a pessoa viverá em constante estado de alerta. E é em decorrência disso que o perigo realmente aparece, porque o cérebro não distingue perfeitamente a imaginação da realidade; nossa fisiologia responde ao que foi projetado no interior de nossa mente (nossa imaginação). 

Isso quer dizer que a reação do corpo diante do perigo real e imaginário é a mesma? Sim, pois como foi dito anteriormente, o estresse é uma resposta física normal para eventos que fazem a pessoa se sentir ameaçada ou quando está sob pressão. Então, ao sentir perigo - seja ele real ou imaginário - as defesas do organismo disparam em alta velocidade em um processo rápido, automático, conhecido como a reação "lutar ou fugir" ou reação ao estresse. Dessa forma, quando a pessoa percebe a ameaça, seu sistema nervoso reage com a liberação de uma inundação de hormônios do estresse, incluindo a adrenalina e cortisol. Esses hormônios despertam  o corpo para ações de emergência.  O coração acelera, os sentidos  são aguçados, os músculos contraem,  as glândulas funcionam diferentemente, a pressão arterial sobe, a respiração encurta. Estas alterações físicas aumentam a força e o vigor, acelera o tempo de reação e aprimora o foco - preparando a pessoa para lutar ou fugir do perigo.  Porém, no medo real, após passar o perigo, o corpo retorna ao seu estado normal, mas no medo imaginário, mantém-se o estado de alerta constante, com isso, chegando ao estresse.

É fato que o estresse faz parte do sistema de mecanismo fisiológico dos homens e animais, que é fundamental para a nossa sobrevivência, sendo gerador de adrenalina. Também, favorece a produção  de cortisol, um hormônio estressor, que ativa as repostas do corpo em posições desfavoráveis, seja elas quais forem (perigo real ou imaginário). O cortisol tem papel importante no organismo e é necessário para manter o equilíbrio físico, porém, quando existe excesso no sangue, deixa de ser útil e começa a causar grandes danos a saúde. Em outras palavras, o mesmo processo cerebral que auxilia a sobrevivência, protegendo o organismo em momentos de estresse agudo, contribui para o seu adoecimento em momentos de estresse crônico.

Podemos afirmar que o estresse não é uma doença. Torna-se, quando passa a ser excessivo (frequente tensão, vigilância em demasia, querer controlar tudo, exigências e preocupações pessoais e profissionais, pressões, comprometimentos exagerados, etc.) desencadeando sofrimento tanto psíquico como físico. Os sintomas psíquicos mais comuns são: memória fraca, introspecção, isolamento, tiques nervosos, desmotivação, irritabilidade, autoritarismo, etc). E os sintomas físicos mais comuns são: indigestão, dores de cabeça, alergias, insônia, diarreia, mudança de apetite, esgotamento físico, gastrite, taquicardia, etc). Além, é claro, dos riscos mais graves, como depressão, infarto, obesidade e muitos outros.

Diante do que foi visto, percebe-se que é extremamente importante conseguir lidar com o estresse e até evitá-lo, já que, quando deixa de ser protetivo e  ultrapassa o limite do que realmente é necessário, gera graves prejuízos. Portanto, a melhor alternativa é a prevenção. Isso quer dizer que se a pessoa vai periodicamente ao médico(a) é necessário ir também a um psicólogo(a) para fazer uma avaliação frequente das suas emoções, relacionamentos, traumas, projetos  de vida, frustrações, vitórias, tomar consciência  dos medos que são reais e dos que são imaginários, entender quais são suas principais necessidades, metas, etc. pois é fato que o autoconhecimento e a autoaceitação podem atuar como agentes para preservar tanto o corpo quanto a mente de certos desconfortos.



Todos os direitos reservado a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

SAÚDE MENTAL: COMO VAI A SUA?




Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma definição simples porém verdadeira do termo Saúde: um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou demais enfermidadesA maior parte das pessoas, quando ouvem falar em “Saúde Mental” pensam em “Doença Mental”. Mas, a saúde mental implica muito mais que a ausência de doenças mentais.

Pessoas mentalmente saudáveis compreendem que ninguém é perfeito, que todos possuem limites e que não se pode ser tudo para todos. Elas vivenciam diariamente uma série de emoções como alegria, amor, satisfação, tristeza, raiva e frustração. São capazes de enfrentar os desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio e sabem procurar ajuda quando têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos diferentes ciclos da vida. A Saúde Mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, idéias e emoções.

MAIS INFORMAÇÃO, MENOS  PRECONCEITO

Até recentemente, a ideia dominante era a de que o termo Saúde Mental se referia apenas ao oposto de Doença (ou doente) Mental. Desta forma, quem buscava os serviços de saúde mental, automaticamente recebia o rótulo e o estigma de doente ou “louco”. Ora, eu posso fazer uma bateria de exames para averiguar se meu coração está Ok, sem precisar ter um diagnóstico de doença. Se os resultados não apontarem nada, é sinal que ultimamente tenho cuidado bem da minha “bomba de sangue” e basta então seguir outras orientações que meu cardiologista possa me dar para que tudo continue indo às mil maravilhas. E isso vale para qualquer outra especialidade da área da saúde, exceto para a Mental. E qual o motivo? Preconceito. Esta é a primeira barreira a ser exterminada. Se estou passando por problemas ou situações as quais não estou conseguindo administrar sozinho, por que não procurar ajuda? Ou será que deveria “ir levando” o sofrimento até que algo mais grave se instaure? 

CAMPANHA JANEIRO BRANCO  

Em outubro de 2013, inspirado pela Campanha Outubro Rosa daquele ano, psicólogos e psicólogas de Uberlândia (MG) tiveram uma ideia: ¨ virada de ano é um período em que as pessoas entram em um movimento espontâneo de avaliação das suas próprias vidas e, janeiro, o primeiro mês do ano, é um mês terapêutico por natureza - vamos, então, aproveitá-lo e instigar as pessoas a pensarem sobre Saúde Mental, sentidos de vida, propósitos existenciais, qualidade de relacionamentos, equilíbrio emocional e se são, ou não, verdadeiramente felizes¨.

A ideia era aproveitar a posição estratégica, assim como o perfil introspectivo do mês de Janeiro, e chamar a atenção das pessoas para essas questões de ordem psicológica-existencial, incentivando-as a tomarem o início do ano como um ponto de partida privilegiado para pensarem sobre as suas condições psicológicas e investirem em mais Saúde Mental em suas vidas ao longo de todo o tempo.
Assim nasceu a Campanha Janeiro Branco – uma campanha totalmente dedicada à conscientização e à prevenção em relação à Saúde Mental, uma campanha concebida por psicólogos(as) e realizada por psicólogos(as) e estudantes em parceria com todos os demais profissionais do universo da Saúde.
A campanha de 2017 tem por tema Quem Cuida da Mente, Cuida da Vida

A IMPORTÂNCIA DO JANEIRO BRANCO

Em uma época em que as taxas de suicídio, depressão e ansiedade têm crescido de forma exponencial em todo o mundo - segundo dados dos Ministérios da Saúde de todos os países do planeta e da Organização Mundial de Saúde -, a Campanha Janeiro Branco justifica-se como uma importante ação preventiva em relação a essas graves questões e, fundamentalmente, como uma necessária campanha voltada à promoção de mais Saúde Mental nas vidas das pessoas e à democratização, em meio à humanidade, dos conhecimentos relacionados a esse objetivo.

OS 5 PRINCIPAIS OBJETIVOS DA CAMPANHA

1- Fazer do mês de Janeiro o marco temporal estratégico para que todas as pessoas do mundo reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental e da Felicidade em suas vidas ao longo de todo o ano;
2- Chamar a atenção de todo mundo para o tema da Saúde Mental, nas vidas das pessoas; 
3- Aproveitar o início de todo o ano para incentivar a pensarem a respeito das suas vidas, e dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes; 
4- Chamar a atenção para pensarem a respeito do que precisam mudar em suas vidas para serem, realmente felizes; 
5- Mostrar às pessoas que sempre é possível o fechamento e a abertura de novos ciclos em busca da felicidade em suas vidas - afinal, ano novo, vida nova e mente nova!

COMO JANEIRO BRANCO PODE AJUDAR AS PESSOAS?

1- Incentivando-as a pensar: o ano mudou - vamos mudar de vida também?
2- Convidando-as a entender: assim como os anos, a vida é feita de ciclos - devemos concluir aqueles que não nos fazem bem e iniciar os que nos farão felizes!
3- Fazendo-as perceber: a virada de ano é um momento simbólico que a humanidade criou para pensar sobre si mesma - essa é a boa hora para aproveitarmos o exemplo e fazermos o mesmo em relação a nossas próprias vidas!
4- Encorajando-as a responder: janeiro abre as portas de um novo ano para todos - será mesmo que precisamos repetir as escolhas ou condições do ano que passou e que nos impediram de ser, verdadeiramente, felizes?
5- Motivando-as a calcular: um novo ciclo de 12 meses está se abrindo a nossa frente - há tempo de sobra para qualquer um de nós fazer por onde ser feliz e ajudar aos outros nessa tarefa.


                                       SEM SAÚDE MENTAL, NÃO HÁ SAÚDE!



Fonte: janeirobranco.com.br
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com

domingo, 11 de dezembro de 2016

O INCONSCIENTE NA SUA VIDA


Por NéaTauil



Muito já se falou sobre o inconsciente, mas poucas vezes, em nossas ações cotidianas, nos damos conta de que estamos agindo regidos por ele. Estima-se que mais de 90% de tudo o que fazemos têm influência de nosso inconsciente. Por exemplo: a escolha do parceiro ou parceira, a profissão que exercemos, a cidade ou a residência em que moramos, etc. Ou seja, temos consciência de só uma pequena parte de nossas atitudes, em comparação a área de funcionamento inconsciente, que é muito mais extensa, abrangendo os fenômenos de que a pessoa, "na maior parte do tempo", não se dá conta." É por isso que Sigmund Freud - considerado o pai da psicanálise - representa essa ideia, usando a metáfora do iceberg como um modelo da mente, onde a parte que fica na superfície é o consciente, e a maior, a submersa, é o local relativo ao inconsciente. Essa metáfora pretende mostrar para as pessoas que, muitas vezes, há muito mais verdade, além do que os nossos olhos conseguem ver.

Há décadas, o inconsciente é foco de discussões a respeito de sua formação e conteúdo. Mas, as teorias de Freud ainda são referenciais importantes para os estudos do inconsciente. Freud já defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas. Com o avanço da neurociência, algumas ideias de Freud foram revistas e, na concepção contemporânea, o inconsciente é nada mais do que a soma de nossas memórias, é um depósito infinito de experiências de vida. Porém, a forma como as memórias serão  arquivadas, isto é, de forma positiva ou negativa, irá depender da história de vivência de cada um. 

Sem dúvida, os acontecimentos da vida de uma pessoa podem influenciar posteriormente seu comportamento e suas reações ao encarar a  própria vida, suas relações e seu posicionamento frente a elas porque, de alguma maneira, ficaram "arquivadas" em algum lugar do cérebro que, um dia, serão usadas, já que é simplesmente impossível preservar nossas memórias e conhecimentos apreendidos e ainda ter plena consciência deles. Ou seja, as informações do ambiente que vamos captando,  a todo momento através dos nossos sentidos ( audição, visão, olfato, paladar, tato, etc.) o cérebro leva para o nível inconsciente, onde tudo pode entrar no piloto automático. Isso quer dizer que durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Isto é, a criança terá inscrito em si um padrão, características "formatadas" nessas relações fundamentais com os pais,  e na idade adulta, não se dá conta que está sendo influenciada por esses padrões, na  sua forma de pensar, de sentir e de agir. Porém, o problema são os padrões negativos e destrutivos aprendidos na relação com os pais ou cuidadores. Segundo Freud, as pessoas podem ter compulsão por repetir atitudes penosas e até buscar más situações. É a repetição do ruim, do desprazer. Ou seja, repetição dos padrões negativos e destrutivos que estão registrados no inconsciente. E o que é pior: a pessoa segue repetindo sempre os mesmos padrões negativos e destrutivos porque não consegue controlar este impulso, que volta a se repetir de forma súbita e sem controle. Infelizmente, são muitas as possibilidades de padrões negativos e destrutivos aprendidos na infância que podem criar dilemas inconscientes que acabam levando a pessoa a agir contra si mesma na idade adulta. 

Como podemos ver, o inconsciente não se manifesta na vida de cada pessoa apenas em lapsos, atos falhos ou sonhos. Na real, ele é uma força que está por trás de todas as nossas escolhas e repetições de comportamento. Entretanto, como foi dito anteriormente, a maneira como o inconsciente interfere em cada pessoa é relativo, já que leva em consideração a história de vivência de cada um, conforme as representações sociais introjetadas pela família em que está inserida. Então, não é por outra razão que o mesmo inconsciente que nos impulsiona a repetir comportamentos bem-sucedidos, leva-nos também a repetir, compulsivamente, atitudes que conduzem ao fracasso. Mas, o que fazer para deixar de repetir os padrões negativos e destrutivos que nos fazem sofrer? A melhor forma é  trabalhar - por meio da psicoterapia - as muitas questões  com as figuras de pai e mãe, traumas, conflitos, crenças, perdas  que foram inconscientizadas e trazê-las para a consciência, a fim de transformá-las em algo produtivo que possa contribuir com a pessoa, possibilitando, assim, o rompimento com os padrões negativos e destrutivos que conduzem a repetição do desprazer.



Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CIRCUITO DO CIÚME

Por Néa Tauil


A insegurança emocional e o medo intenso da perda são os principais desencadeadores do ciúme dentro de uma relação. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento, pois não há nada mais sufocante do que a insegurança de alguém que aposta no controle do outro, em vez de lidar com suas próprias questões.  

Desde a origem do ciúme até que se cumpre o temido, há um circuito pelo qual transitará a pessoa ciumenta, já que os seus  pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro/a faz ou sente.

Veja abaixo o circuito e entenda por que - discreto ou exagerado - o ciúme é sempre tirano e limitador:

1- Sentir a ameaça: A pessoa ciumenta sente que há um terceiro, que pode ser real ou imaginário, que vem roubar seu amor, seu trabalho, seu amigo/a ou o que quer que seja. E a pessoa vê esse terceiro como um ladrão.

2- Controlar: O ciumento começa a controlar, vigiar, revisar, seguir, para descobrir a prova que assegure que isso que ele pensava, que o terceiro vem roubar, é verdade. Se olhar não é suficiente, vai começar com um interrogatório. Por mais respostas que se dê ao ciumento, isso nunca será suficiente. Então, volta a perguntar, interpretando da sua maneira e insistindo para que contem tudo de novo.

3- Proibir: O ciumento vai começar a tentar evitar, por exemplo, que sua esposa se arrume, ponha perfume ou que se vista bem. A vítima do ciúme, a princípio, aceitará as sugestões por se sentir cuidada. Mas esse cuidado, depois, passará a ser proibição. Não coloque essa saia porque é muito curta. Não se pinte porque fica parecendo uma louca. Muitas pessoas falsamente acham que ser vítima de ciúme é ser amada.

4- Perdão: O ciumento pede perdão, chora, dá presentes, faz convites. Tudo volta à normalidade até que reaparece um terceiro, real ou imaginário, e começa outra vez com o círculo: ciúme, cenas, perdão, normalidade, ciúme...

5- Profecia autocumprida: Efetivamente, o medo de perder se cumpre. A pessoa abandona o ciumento. O medo sempre realiza o que é temido, porque o medo é fé no mau, e a fé funciona para o bem ou para o mal.






Fonte: Stamateas, Bernardo (2010). Emoções Tóxicas. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil.
Psicoterapia Beneficia as Pessoas! psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com